“Infetados podem ser cinco a 10 vezes mais do que os números oficiais”, diz investigador da Fundação Champalimaud

Portugal pode ter uma percentagem bem mais elevada da população que já foi infetada, disse o investigador...

  

Portugal pode ter muitas mais pessoas infetadas com Covid-19 do que as registadas oficialmente, porque há “uma percentagem enorme de indivíduos que não desenvolve sintomas”, disse o investigador Henrique Veiga-Fernandes.

Investigador principal do Laboratório de Imunofisiologia da Fundação Champalimaud, Henrique Veiga-Fernandes coordenou os esforços de diagnóstico e rastreio da Covid-19 na Fundação.

No dia em que foram divulgados os resultados de testes serológicos a enfermeiros e assistentes nos hospitais de Santo António, no Porto, e Santa Maria, em Lisboa, segundo os quais o número de infetados é 10 vezes superior ao que se julgava, o investigador disse à Lusa que o que se sabe pode ser “a ponta do iceberg”.

Os resultados esta quinta-feira divulgados, disse, estão alinhados com outros estudos internacionais e com um estudo-piloto que a Fundação fez no concelho de Loulé, distrito de Faro, e mostram que há pessoas que são infetadas e que não têm sintomas ou têm sintomas ligeiros, pelo que não são elegíveis para testes de diagnóstico.

Esses resultados indicam que Portugal pode ter uma percentagem bem mais elevada da população que já foi infetada, disse o investigador.

E precisamente porque “há uma percentagem elevadíssima de indivíduos infetados mas que nem se apercebem da infeção”, e tendo em conta estudos que já se fizeram noutros países, o investigador, diretor de investigação e especialista em imunologia, acrescentou: “não ficaria surpreendido se os infetados fossem cinco a 10 vezes mais” do que os números oficiais.

Uma coisa tem a certeza, havendo mais infetados “a taxa de letalidade é bastante inferior” ao que antes se julgava. “E isso é uma boa notícia. A de que provavelmente temos uma doença que é muito grave mas que não é tão assustadora como de início se pensava”, afirmou à Lusa.

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